A seca está a atingir o Noroeste peninsular, preocupando a região da Galiza, onde se registou o Inverno mais seco desde há 67 anos e onde as temperaturas médias de Fevereiro foram superiores em 2,5 graus centígrados aos valores normais para esse mês, afectando também o litoral Norte português, que passou para a situação de seca severa, segundo o Instituto de Meteorologia (IM).
Aqueles resultados devem-se à variabilidade climática natural nesta região da Península Ibérica e em concreto em Portugal, que por vezes é muito significativa. Não admira que passemos de situações de seca a cheias em pouco tempo, como explicam meteorologistas ouvidos pelo JN, que não associam o fenómeno directamente às alterações climáticas.
“Nas variáveis de chuvas não se observam claras tendências anormais para a Galiza”, afirma um responsável regional da agência espanhola de meteorologia citada ontem pelo “El Pais”, que tem dado espaço às preocupações com a seca naquela autonomia.
De acordo com o último relatório mensal de informação climática, em 29 de Fevereiro, 95% do território continental nacional estava em situação de seca, sendo 48% afectado por seca fraca, 43% por seca moderada e 4% por seca severa. Os dados, que melhoraram em relação aos meses anteriores, confirmam que passámos um Inverno muito seco, mas não tão severo como o de 2004/2005, o mais seco dos últimos 75 anos.
Nas regiões Norte e Centro-Norte, os valores de precipitação em Fevereiro foram bastante inferiores (abaixo dos 80%) aos valores médios mensais de 1961-1990, enquanto nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e na zona de Beja choveu mais do que o normal. Por isso, a situação de seca agravou-se no Norte e Centro-Norte, mas desagravou-se no Centro-Sul e na região Sul.
Não é habitual o Norte ser mais seco do que o Sul, mas não se trata de um fenómeno extraordinário. Na seca de 1976, o Norte foi a região mais atingida. Do mesmo modo que não é estranho que a situação climática desta área do país seja semelhante à da Galiza, pois há uma uniformidade no Noroeste peninsular, relacionada com as perturbações atmosféricas desta região.
Segundo o boletim da situação nas 57 albufeiras portuguesas, no final de Fevereiro os níveis de armazenamento por bacia hidrográfica eram inferiores às médias de armazenamento nesse mês registadas no período 1990/2000, excepto para as bacias do Guadiana, ribeiras do Algarve e Arade. Em dez bacias, o volume de água aumentou, descendo em duas (Lima, de 46,3% para 36,8%) e Oeste (de 49,7% para 48,8).
O valor médio da temperatura máxima do ar foi superior em cerca de 2 graus ao valor médio no período 1961-1990, enquanto a média da temperatura média foi cerca de 1,8 graus superior ao valor médio no mesmo período. Sublinhe-se que o número de dias com temperaturas máximas superiores a 20 graus chegou a nove no Porto/Pedras Rubras e na Anadia e dez em Monção.